| Resumo: – O motor a hidrogênio utiliza células de combustível para gerar eletricidade e emite apenas vapor d’água pelo escapamento, embora a produção atual do gás ainda dependa majoritariamente de fontes fósseis. – Apesar de a tecnologia existir desde o século XIX, a urgência sustentável recente impulsionou grandes montadoras, como Toyota e Ferrari, a investirem pesadamente em novos veículos e patentes. – A popularização em larga escala esbarra em desafios complexos, como a falta de infraestrutura de postos de abastecimento, os altos custos e a vida útil dos tanques limitada a 15 anos. – Especialistas apontam que ainda levará algumas décadas para que o hidrogênio supere essas barreiras e se torne uma alternativa viável e padronizada no mercado automotivo global. |
Nas últimas décadas, o setor automotivo não tem medido esforços para buscar alternativas mais sustentáveis de produção e funcionamento dos veículos. Mesmo com o aumento expressivo na fabricação e venda de carros elétricos e híbridos, outra tecnologia têm ganhado espaço nas manchetes de todo o mundo: o motor movido a hidrogênio.
Baseado em uma tecnologia distinta da combustão tradicional, este motor vem com a promessa de oferecer uma locomoção limpa e ainda mais abundante para os veículos, já que é baseada no elemento mais abundante não apenas no planeta, mas em todo o Universo: estima-se que 90% dos átomos em todo o espaço levam hidrogênio em sua composição.
Papo de ficção científica ou realidade? Acompanhe este artigo e saiba se o veículo “movido a água” é realmente o futuro da indústria automotiva ou apenas um sonho insensato da ciência.
Como funciona um motor a hidrogênio?
Para entender o motor a hidrogênio, é necessário entender um outro conceito muito relevante: o de células de combustível. De forma bastante geral, elas são como geradores que utilizam a reação de hidrogênio com o oxigênio para produzir corrente elétrica.
Com esses dois elementos, o resultado da geração de energia — e, consequentemente, o que sai do escapamento de um veículo com esse motor — é H₂O em seu estado gasoso, ou seja, vapor d’água. Simples, não é mesmo?

Entretanto, por quase não existir na natureza em sua forma livre, o hidrogênio depende de outras fontes para que seja produzido e armazenado. Hoje em dia, aproximadamente 95% da produção do elemento vem das mesmas origens fósseis de outros combustíveis, como petróleo bruto ou gás natural. Isso, pelo menos por enquanto, acaba inviabilizando que a tecnologia se torne plausível em grande quantidade no cenário automotivo.
O motor de hidrogênio não vem de hoje
A ideia de utilizar hidrogênio em veículos é antiga — bem antiga. O primeiríssimo motor de combustão interna da história, desenvolvido pelo suíço François Isaac de Rivaz, utilizava uma mistura de gás hidrogênio e oxigênio e foi criado em 1806. Para te situar na história do mundo, Napoleão era o imperador da França nessa época!
A gasolina, no entanto, acabou se tornando uma alternativa mais viável ao longo do século XX, quando a indústria automotiva teve um boom significativo. Ainda assim, a tecnologia com hidrogênio continuou sendo aprimorada: em 1933, a empresa norueguesa Norsk Hydro desenvolveu um caminhão que utilizava um motor de hidrogênio com base de amônia, enquanto a General Motors foi responsável pela Electrovan, o primeiro FCEV (veículo elétrico que utiliza células de combustível).

Novo milênio, novos avanços
As preocupações crescentes com as emissões geradas pelos combustíveis fósseis, como gasolina e etanol, motivaram o desenvolvimento de motores de hidrogênio cada vez mais eficientes e viáveis para o mercado.
Em 2014, a Toyota foi a primeira fabricante a produzir em massa um modelo FCEV. Convenientemente chamado de Mirai (termo em japonês para “futuro”), o sedã chegou a entrar no Guinness Book em 2021 por atingir a marca de 1360 km percorridos usando apenas um tanque de hidrogênio.
Marcas de luxo também estão se interessando pela tecnologia. A Ferrari, que recentemente gerou muita controvérsia com o design de seu primeiro carro elétrico, registrou uma patente para um motor a hidrogênio de estrutura diferente do visto até hoje, com pistões opostos, dois virabrequins independentes e ciclo de dois tempos.
Ainda não se sabe quando ou em que modelo ele será empregado, mas sua arquitetura começa a permitir que os FCEVs sejam tratados como sua própria espécie, em vez de meras adaptações de veículos a gasolina ou diesel.

Desafios na implantação do motor de hidrogênio
Chegamos à pergunta final: o que o futuro reserva para os “carros movidos a água”? A resposta não é simples, mas aponta para próximos capítulos cada vez mais importantes para os veículos.
Assim como nos veículos elétricos a bateria (pelo menos até alguns anos atrás), algo que dificulta a adoção mais generalizada do motor a hidrogênio é a pouca disponibilidade de abastecimento. A falta de uma rede ampla de postos do combustível faz com que usar um FCEV com regularidade seja uma tarefa inviável para a maior parte dos motoristas.
Além disso, a tecnologia apresenta obstáculos tanto no armazenamento do elemento, com tanques que têm vida útil de apenas 15 anos — ou seja, menor do que a do próprio automóvel —, quanto nos custos de implantação e desenvolvimento.
Dessa forma, é esperado que o hidrogênio se torne uma alternativa possível em larga escala daqui a, no mínimo, algumas décadas. A fabricante de motores Cummins, por exemplo, busca alcançar emissões zero até 2050, com seu primeiro modelo utilizando células de combustível saindo já em 2027.

Ainda que esteja distante de se tornar o padrão no trânsito, o motor de hidrogênio é uma tecnologia na qual você deve prestar atenção. Da mesma forma que os veículos elétricos tomaram as ruas em pouco tempo quando se tornaram viáveis, mudanças cada vez mais repentinas podem acontecer no setor automotivo nos próximos anos.
Siga a Associação Múltipla nas redes sociais e continue se informando quanto a tudo que envolve o mundo das estradas!
Fontes: TÜV Rheinland, Alkè, InsideEVs, CanalVE, Quatro Rodas, Mapfre, Cummins, mecanicaonline, ExxonMobil.
