Resumo:
A MotoGP voltou a Goiânia após 37 anos e movimentou R$ 1,14 bilhão na economia local.
A capital goiana garantiu um contrato para sediar a competição anualmente até o ano de 2030.
O Autódromo Internacional Ayrton Senna recebeu R$ 250 milhões em investimentos para adequação e modernização da pista.
A corrida principal foi encurtada devido às fortes chuvas e ao desgaste precoce do asfalto.
O evento foi um sucesso de público e os ingressos para a etapa de 2027 já estão à venda.
No último dia 22 de março, Goiânia recebeu a MotoGP pela primeira vez após um hiato de 37 anos. A segunda etapa do calendário de 2026 da premiação, assim como nos anos 80, aconteceu no Autódromo Internacional Ayrton Senna e movimentou a capital goiana ao longo de seus três dias de programação de formas que há muito não eram vistas.
Só para você ter uma ideia: a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou em 27 de março que o retorno do Grande Prêmio ao Brasil movimentou R$ 1,14 bilhão, cifra quatro vezes superior ao valor investido na reforma do autódromo, gerando mais de 10 mil postos de trabalho e um gasto médio de quase R$ 7 mil por turista em Goiânia e região. E este é apenas o começo: a capital tem contrato para trazer a MotoGP em todos os próximos anos até 2030. Coisa boa, hein?
Quer saber como foi receber a maior competição do motociclismo internacional em solo goianiense? Contamos tudo no artigo de hoje!
A história do Brasil com a MotoGP
Goiânia foi a primeira casa brasileira da MotoGP. Nas primeiras edições sediadas na capital, entre 1987 e 1989, a pista ainda era conhecida apenas como Autódromo Internacional de Goiânia e já havia recebido algumas edições da Stock Car.
Diferente de 2026, em que Goiânia sediou a segunda de 22 etapas, o GP do Brasil ficava na parte final do calendário na década de 80. Os três anos de competição foram marcados pelo clima festivo, não sem todos os riscos que o grande fluxo de pessoas trouxe à cidade, como a superlotação do setor hoteleiro e questões de segurança.
Uma delas, inclusive, é bem famosa e polêmica: o acidente radiológico com o césio-137 ocorreu pouco antes da edição de 1987, mas foi minimizado pelas autoridades até depois da realização da corrida para não causar pânico não apenas na população goianiense, mas nos turistas de todas as partes do Brasil e do mundo.
Após 1989, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, recebeu a MotoGP em 1992, embora não tenha sido bem recebido como um local adequado para a corrida. Entre 1995 e 2004, o Rio de Janeiro foi o responsável por sediar o Rio Grand Prix — que, curiosamente, trazia o nome da cidade em vez de Brasil, sendo assim considerado um anfitrião à parte.

Mãos à obra, Goiânia
Era dezembro de 2024 quando Ronaldo Caiado, o governador de Goiás, assinou o contrato com a Brasil Motorsport e a empresa espanhola para a realização da MotoGP na capital entre 2026 e 2030. Não foi uma decisão barata: para comportar um evento desse porte, o governo estimava um investimento de R$ 50 milhões para adequar o Autódromo Ayrton Senna às exigências da maior categoria do motociclismo mundial.
A realidade se tornou outra ainda mais custosa: foram utilizados R$ 250 milhões na reforma, o que incluiu a troca de toda a camada asfáltica do circuito, a ampliação da reta principal (de 12 para 15 m de largura) e das áreas de escape. No entanto, o investimento também visou credenciar o autódromo para outras competições automobilísticas. Segundo Caiado em declaração no segundo dia do GP do Brasil, a modernização do espaço “nos permite realizar aqui qualquer categoria, seja MotoGP, Fórmula 1, Fórmula Indy, entre outras”.

O aguardado retorno
O GP do Brasil voltou a Goiânia, ironicamente, ao mesmo tempo em que Emergência Radioativa, uma minissérie sobre o acidente com o césio-137, estreou na Netflix. Dessa vez, no entanto, a polêmica ficou (felizmente) restrita ao roteiro no streaming: a MotoGP foi sucesso de bilheteria dentro e fora do autódromo, mesmo com alguns percalços na estrutura do evento.
A corrida no domingo, dia 22 de março, contou com a vitória do italiano Marco Bezzecchi, sua quarta consecutiva. O pódio também teve a presença de Jorge Martín em 2º lugar e Fabio Di Giannantonio na medalha de bronze. O único brasileiro na competição, Diogo Moreira, amargou o décimo terceiro lugar após perder cinco posições na largada.
No entanto, a etapa foi marcada por situações muito menos que desejáveis no percurso: primeiro, as fortes chuvas acabaram contribuindo para o surgimento de um buraco na pista, o que chegou a atrasar a realização do sprint do GP; depois, uma redução de voltas na corrida principal, indo de 31 a 23, por conta da alta degradação do asfalto entre as curvas 11 e 12.
Mesmo assim, nada foi capaz de abalar a festa do automobilismo na capital goiana. Também, pudera: a procura por voos para Goiânia ultrapassou 300 mil buscas, com italianos, espanhóis e estadunidenses encabeçando a lista de turistas. A FanFest MotoGP foi uma das grandes responsáveis pelo entretenimento durante o fim de semana, com shows de nomes como Pedro Sampaio, Matuê, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial, além da programação gratuita da Arena Goiás, na Praça Cívica, com shows de Barão Vermelho, Jiraya Uai, Jota Quest e mais.

Investimento é tudo
Com o retorno bilionário que a MotoGP trouxe a Goiânia, não é à toa que os ingressos para a etapa de 2027 já estão com a venda liberada desde 23 de março, dia seguinte ao evento. A expectativa é grande para tudo que a capital será capaz de fazer para continuar merecendo ser a anfitriã de uma das competições sobre rodas mais consagradas da história. Há até quem ache que existe uma chance de ele voltar ainda este ano para cá… quem sabe?
Fica a lição: investir com inteligência é o maior passo que você pode dar para garantir seus objetivos.
E, por falar nisso, você está investindo em seu veículo? Não são só as máquinas de ponta no autódromo que precisam dos melhores cuidados, especialmente se o asfalto dos seus trajetos também estiver… abaixo do esperado. É sempre bom se prevenir, não é mesmo? 😉
Fontes: Jornal Opção, Governo de Goiás, Mais Goiás, ESPN, Globo Esporte, Grande Prêmio, Motorsport, Forbes.
